Conhecido por sua violência gráfica, intrigas políticas cruéis e personagens moralmente ambíguos, o universo de Game of Thrones raramente é associado a histórias reconfortantes. No entanto, O Cavaleiro dos Sete Reinos (A Knight of the Seven Kingdoms) surpreende ao apresentar uma narrativa mais simples, emocional e até acolhedora — algo quase impensável em Westeros.
Baseada nos contos de George R. R. Martin, a série se passa cerca de 100 anos antes dos eventos de Game of Thrones, em uma época em que os Targaryen ainda ocupavam o Trono de Ferro. Em vez de grandes guerras e conspirações palacianas, a trama aposta em uma jornada intimista, focada na amizade e no crescimento pessoal de dois personagens improváveis.
Quem são Dunk e Egg?
Os protagonistas da história são Dunk, diminutivo de Ser Duncan, o Alto, e o jovem Egg. Dunk é interpretado por Peter Claffey, ex-jogador de rugby irlandês que entrega presença física e carisma ao personagem. Criado como escudeiro de um cavaleiro errante, Ser Arlan de Pennytree, Dunk nunca chegou a ser oficialmente nomeado cavaleiro antes da morte de seu mentor.
Logo no início da série, acompanhamos Dunk enterrando Ser Arlan e decidindo seguir sozinho pelas estradas de Westeros, tentando sobreviver como um cavaleiro errante. Apesar do porte intimidador, ele é ingênuo, bondoso e frequentemente perdido — mais coração do que estratégia.
É nesse caminho que surge Egg, vivido por Dexter Sol Ansell, um garoto careca, perspicaz e surpreendentemente inteligente. Sem revelar de imediato sua verdadeira origem, Egg insiste em se tornar escudeiro de Dunk, afirmando que ele “parece precisar mais de ajuda do que imagina”. A partir daí, nasce uma relação que é o verdadeiro coração da série.

Uma Westeros diferente da que conhecemos
Ao contrário de Game of Thrones e House of the Dragon, O Cavaleiro dos Sete Reinos aposta em episódios mais curtos, com cerca de 30 minutos, e em um ritmo muito mais contido. Aqui, o foco não está em reviravoltas chocantes, mas na construção da relação entre cavaleiro e escudeiro, em diálogos afetuosos e pequenos conflitos do cotidiano.
A série ainda mantém elementos adultos — como linguagem forte, violência pontual e algumas cenas mais gráficas —, mas de forma significativamente mais moderada. Em vez de execuções brutais, incestos e massacres, vemos noites em tavernas, tropeços literais de Dunk e desafios morais mais sutis.
Não se trata de uma produção infantil, mas certamente é mais acessível e emocionalmente leve do que qualquer outra obra televisiva ambientada em Westeros até hoje.
Para quem é a série?
Essa talvez seja a grande questão. O Cavaleiro dos Sete Reinos não parece ter sido feita para quem busca batalhas épicas, dragões em ação ou disputas sangrentas pelo poder. Também não é ideal para crianças, apesar do tom mais suave.
O público-alvo parece ser o fã que deseja explorar Westeros sob outra perspectiva: menos grandiosa, mais humana e reflexiva. A série toca em temas como honra, lealdade, amadurecimento e desigualdade social, ainda que sem o peso político característico da saga principal.

Um refúgio em tempos caóticos
Talvez o maior mérito de O Cavaleiro dos Sete Reinos seja justamente não tentar “superar” suas antecessoras. A série funciona quase como um refúgio narrativo, uma pausa em meio ao caos — tanto do universo fictício quanto do mundo real.
Em tempos em que a realidade parece cada vez mais cruel, essa história modesta sobre um cavaleiro atrapalhado e um garoto sábio encontra força na simplicidade. No fim das contas, todos nos sentimos um pouco como Dunk: tentando seguir em frente, esperando que até algo tão frágil quanto um “Egg” possa nos proteger.
Onde assistir O Cavaleiro dos Sete Reinos?
O spin-off de Game of Thrones tem lançamentos semanais, sempre aos domingos à noite, no canal HBO e na plataforma HBO Max. A série adapta diretamente os contos escritos por George R. R. Martin, expandindo o universo da saga com uma abordagem mais intimista e emocional.
Assista ao trailer oficial: