A nova produção da antologia de Ryan Murphy revisita um dos crimes mais misteriosos dos Estados Unidos, explorando os assassinatos que transformaram Lizzie Borden em uma figura histórica cercada de controvérsias.
A série Monstro: A História de Lizzie Borden apresenta uma dramatização de um dos casos criminais mais conhecidos da história norte-americana. Ambientada no final do século XIX, a produção acompanha uma jovem que vive sob as rígidas convenções sociais da era vitoriana e acaba envolvida em um crime brutal que desperta a atenção de todo o país.
Interpretada por Ella Beatty, Lizzie Borden é retratada como uma mulher reprimida pelo ambiente familiar e pelas expectativas impostas às mulheres de sua época. A narrativa mistura acontecimentos históricos, suspense psicológico e elementos ficcionais para explorar os possíveis motivos por trás dos assassinatos de Andrew e Abby Borden.
Mas o que realmente aconteceu naquela casa em 1892? Lizzie assassinou o próprio pai e a madrasta? E quais acontecimentos apresentados na série são baseados em fatos?
Conheça a história real que inspirou a produção e descubra por que o caso continua despertando curiosidade mais de 130 anos depois.
Qual é a história de Monstro: A História de Lizzie Borden?

A trama acompanha Lizzie Borden, uma jovem que vive em uma família marcada por conflitos e pelas rígidas normas sociais do século XIX.
Criada em um ambiente conservador, Lizzie enfrenta uma rotina de repressão e dificuldades familiares. Sua vida começa a mudar com a chegada de Bridget Sullivan, conhecida como Maggie, uma empregada doméstica que estabelece uma relação importante com a protagonista.
Na versão dramatizada, essa aproximação desencadeia acontecimentos que culminam nos assassinatos de Andrew e Abby Borden.
A produção explora temas como repressão feminina, violência doméstica, relações familiares e os limites entre realidade e interpretação histórica.
Criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, a antologia Monstro ficou conhecida por apresentar histórias inspiradas em crimes reais, combinando investigação histórica e dramatização.
Quem está no elenco da série?
A produção reúne nomes conhecidos do cinema e da televisão, com destaque para Ella Beatty no papel principal.
Entre os integrantes do elenco apresentados para a série estão:
- Ella Beatty: Lizzie Borden.
- Charlie Hunnam: Andrew Borden, pai de Lizzie.
- Rebecca Hall: Abby Borden, madrasta de Lizzie.
- Vicky Krieps: Bridget Sullivan, conhecida como Maggie.
- Jessica Barden, Joey Pollari, Billie Lourd e Sarah Paulson: também integram o elenco divulgado.
A interpretação de Ella Beatty procura apresentar diferentes perspectivas sobre uma personagem histórica que continua despertando opiniões divergentes.
A atriz explicou que pesquisou extensivamente o caso, incluindo podcasts sobre crimes reais, para compreender as teorias que cercam Lizzie Borden. Entretanto, destacou que seu trabalho também envolveu construir uma personagem ficcional a partir do roteiro da produção.
A história real de Lizzie Borden
Lizzie Andrew Borden nasceu em 19 de julho de 1860, em Fall River, Massachusetts, nos Estados Unidos.
Filha de Andrew Jackson Borden, um empresário financeiramente bem-sucedido, Lizzie cresceu em uma família que, apesar de possuir recursos, mantinha hábitos relativamente modestos.
Após a morte de sua mãe biológica, Andrew se casou com Abby Durfee Gray. Lizzie e sua irmã mais velha, Emma, passaram a viver com o pai e a madrasta.
As relações familiares, especialmente as divergências envolvendo propriedades e questões financeiras, tornaram-se parte importante das discussões sobre o caso.
Em 4 de agosto de 1892, Andrew e Abby Borden foram encontrados mortos dentro da residência da família.
Abby foi descoberta em um dos quartos da casa, enquanto Andrew foi encontrado no sofá da sala. Ambos apresentavam ferimentos graves provocados por um instrumento cortante.
Os assassinatos provocaram enorme repercussão na imprensa norte-americana. Lizzie, que estava na residência naquele dia, tornou-se a principal suspeita da investigação.
O caso rapidamente ultrapassou os limites da pequena cidade de Fall River e se transformou em um dos julgamentos criminais mais comentados do século XIX.
Lizzie Borden realmente matou o pai e a madrasta?
Essa é a pergunta que permanece sem uma resposta definitiva.
Lizzie Borden foi formalmente acusada pelos assassinatos, mas acabou absolvida em junho de 1893, após um julgamento que atraiu grande atenção da imprensa.
Durante o processo, a acusação apresentou circunstâncias consideradas suspeitas, incluindo declarações de Lizzie, seus movimentos no dia dos crimes e relatos envolvendo a destruição de um vestido.
Entretanto, a defesa questionou a consistência das provas e destacou a ausência de evidências suficientes para estabelecer sua responsabilidade pelos assassinatos.
O júri decidiu pela absolvição.
É importante destacar que a absolvição não solucionou os crimes. A identidade de quem matou Andrew e Abby Borden nunca foi estabelecida judicialmente.
Ao longo das décadas, historiadores, jornalistas e pesquisadores apresentaram diferentes interpretações sobre os acontecimentos. Algumas teorias continuam apontando para Lizzie, enquanto outras questionam as investigações conduzidas na época.
Por isso, embora a série apresente sua própria interpretação, não é correto tratar a responsabilidade de Lizzie como um fato histórico comprovado.
O que aconteceu com Lizzie Borden depois do julgamento?
Após ser absolvida, Lizzie continuou vivendo em Fall River, mas sua vida nunca voltou completamente ao normal.
Ela e sua irmã Emma adquiriram uma residência maior, conhecida como Maplecroft, localizada em uma região mais valorizada da cidade.
Apesar da absolvição, Lizzie permaneceu associada aos assassinatos e enfrentou o julgamento social de parte da comunidade.
Anos depois, as duas irmãs se afastaram e passaram a viver separadamente.
Lizzie Borden morreu em 1º de junho de 1927, aos 66 anos, sem que os assassinatos de seu pai e de sua madrasta fossem oficialmente esclarecidos.
Seu nome, entretanto, permaneceu presente na cultura popular norte-americana, inspirando livros, filmes, documentários e produções televisivas.
O que é verdade e o que é ficção na série da Netflix?
Embora seja inspirada em acontecimentos reais, Monstro: A História de Lizzie Borden utiliza diversas liberdades criativas.
A própria Ella Beatty reconheceu que sua interpretação foi construída a partir de uma versão ficcionalizada da personagem histórica.
Entre as principais diferenças entre a história real e a produção estão:
- O relacionamento com Maggie: a série apresenta uma relação amorosa entre Lizzie e a empregada Bridget Sullivan. Entretanto, não existem evidências históricas que comprovem esse envolvimento.
- A participação nos assassinatos: na produção, Maggie influencia Lizzie e participa dos acontecimentos. Historicamente, Bridget foi uma importante testemunha do caso, mas não foi condenada pelos crimes.
- Os conflitos familiares: a série dramatiza situações de violência e abuso. Apesar dos relatos históricos sobre tensões familiares, os acontecimentos específicos apresentados não foram comprovados.
- A tentativa de envenenamento: o roteiro transforma suspeitas relacionadas à possível aquisição de veneno em acontecimentos dramáticos. Não há comprovação histórica de que Lizzie tenha tentado envenenar seus familiares.
Essas diferenças demonstram que a série deve ser compreendida como uma interpretação dramática, e não como um documentário sobre o caso.
Por que o caso Lizzie Borden continua tão famoso?
Um dos elementos que contribuíram para a popularidade do caso foi uma cantiga infantil norte-americana que associava Lizzie aos assassinatos.
A música exagerava o número de golpes sofridos pelas vítimas e ajudou a transformar o caso em uma espécie de lenda popular.
Com o passar dos anos, os assassinatos também passaram a ser estudados sob diferentes perspectivas, incluindo o tratamento dispensado às mulheres no sistema judicial do século XIX, a influência da posição social e o papel da imprensa na formação da opinião pública.
A nova temporada de Monstro retoma essa história para explorar questões relacionadas à repressão feminina, ao poder e à construção da imagem pública de uma pessoa acusada de um crime.
Para quem gosta de produções inspiradas em acontecimentos reais, a série oferece uma oportunidade de conhecer um episódio histórico que continua cercado de dúvidas. Vale lembrar, entretanto, que muitas das situações apresentadas foram criadas ou modificadas para atender à narrativa televisiva.