O diretor Peter Farrelly, conhecido por comédias que exploram o humor desconfortável e situações absurdas, retorna ao gênero em que construiu sua carreira com “Bola Pra Cima”, disponível no Prime Video. O longa aposta em uma premissa ousada e provocativa, ambientada em um dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo no Brasil.
Uma ideia absurda que dá o pontapé inicial
A trama acompanha Brad (Mark Wahlberg) e Elijah (Paul Walter Hauser), dois funcionários de uma empresa de preservativos que desembarcam no Brasil com uma proposta tão inusitada quanto arriscada: lançar um produto que promete revolucionar o mercado — um preservativo que cobre não apenas o pênis, mas também os testículos.
Brad é o típico vendedor confiante, que fala alto e age antes de pensar. Já Elijah, o criador do produto, demonstra insegurança desde o início, como se já antecipasse o desastre. Mesmo assim, a dupla consegue abrir portas importantes — até que uma noite de excessos coloca tudo a perder. Meses depois, eles retornam ao país durante a final entre Brasil e Argentina, dando início a uma sequência caótica de eventos.
Humor constrangedor e boas atuações
Farrelly acerta ao explorar a dinâmica entre os protagonistas. Wahlberg entrega um personagem impulsivo e insistente, enquanto Hauser equilibra a dupla com um perfil mais inseguro e hesitante. Os melhores momentos do filme surgem justamente nas interações mais contidas entre os dois — reuniões tensas, diálogos desconfortáveis e situações em que o absurdo tenta se manter dentro de uma aparência de normalidade.
Essas cenas revelam o potencial da narrativa: o constrangimento crescente, a sensação de que tudo pode dar errado a qualquer instante e o humor que nasce do exagero.
Quando a comédia perde o ritmo
O ponto de virada acontece após um incidente envolvendo um executivo brasileiro que, após anos sóbrio, volta a beber durante uma celebração. A consequência é imediata: o acordo desmorona, a empresa entra em crise e os protagonistas perdem tudo.
A partir daí, o filme abandona parcialmente a construção narrativa e passa a depender excessivamente da repetição da piada central. O elemento que inicialmente organiza a história — o produto controverso — começa a perder força, tornando-se um recurso repetitivo que já não sustenta o humor.
Ação sem progressão
Na segunda metade, “Bola Pra Cima” muda de tom e tenta se transformar em uma comédia de perseguição. Brad e Elijah se envolvem em uma série de confusões que incluem torcida furiosa, polícia corrupta, criminosos, situações na selva e até encontros inusitados com grupos alternativos.
Apesar do potencial, o roteiro apresenta uma sequência de eventos pouco conectados, sem evolução clara de tensão ou impacto. As cenas se acumulam, mas não se desenvolvem, criando a sensação de movimento constante sem progresso real.
Vale a pena assistir?
“Bola Pra Cima” é um filme que começa com energia e uma proposta criativa, sustentado por boas atuações e momentos de humor eficaz. No entanto, perde força ao longo do caminho por falta de desenvolvimento narrativo e excesso de repetição.
Para quem aprecia comédias irreverentes e sem filtro, o longa ainda pode render boas risadas — especialmente nos primeiros atos. Já para quem busca uma história mais consistente, o filme pode deixar a sensação de que poderia ter ido muito mais longe.
Assista ao trailer oficial e tire suas próprias conclusões antes de dar o play no Prime Video.